Nos últimos tempos temos vindo a ser assombrados com ondas de indignação face a actos ditos menos próprios, por parte dos humanos para com os seus companheiros de planeta. Primeiro, foi o GNR que deu a patada ao porco, depois a onda de revolta face a um dito coelho enforcado presente numa manifestação na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O que é certo é que isso, associado a todas aquelas partilhas chocantes feitas nas redes sociais, certamente devem criar nas pessoas uma vontade árdua de se tornarem vegetarianas, ou talvez, ovo-lacto-vegetarianas. Nem me passa pela cabeça que em qualquer momento da sua vida, uma dessas pessoas possa ter degustado algo mais que um alho francês ou uma couve de bruxelas. Pela suposta lógica, que não apresenta lógica nenhuma, quero ainda acreditar que as pessoas têm-se mostrado indignadas, não pelo enforcamento do coelho (diga-se, supostamente embalsamado) mas sim pelo não enforcamento do verdadeiro Coelho, que esse sim, é o verdadeiro causador de não haver carne na mesa de muitos portugueses.
Devo confessar que estou ainda deveras curiosa para saber qual será a próxima novidade. Olhando para os escândalos passados em prol da defesa de um animal que serve de bifana a muito boa gente de princípios fiéis aos animais, ou talvez, em prol daquele que já foi estufado e assado em muitos fornos, acho que falta um onda de contestação com um frango. Ou uma vaca. Eu cá aposto nas vacas. Sempre são mais fáceis de encontrar e gerar contestação.